Sala de Imprensa
14/11/2014
Em crise financeira, Desportiva pode não participar do Capixabão 2015
Sem avanço da dissolução da Desportiva Capixaba na Justiça e com dívida de R$ 80 milhões, Tiva tem dificuldades para entrar em campo no ano que vem

O maior time na primeira divisão estadual pode não disputar o Campeonato Capixaba 2015. Com sérios problemas financeiros e jurídicos, por conta da parceria firmada em 1999 com o Grupo Villa Forte e Oliveira Empreendimentos S/A, a participação da Desportiva Ferroviária no Capixabão está ameaçada, assim como o sucesso da competição.

 

Sem a resolução do processo de dissolução da Desportiva Capixaba, que corre na Justiça de Cariacica, desde 2012, a Desportiva Ferroviária é alvo de todos os passivos das mais de 23 empresas do Grupo Villa Forte, cujo montante chega a aproximadamente R$ 80 milhões. Por isso, o departamento jurídico trabalha para, antes da dissolução, derrubar a tese de que a Desportiva Ferroviária participa do “grupo econômico”. A dívida assustadora compromete a vida financeira dos ferroviários, que enfrentam muitas dificuldades para arcar com todas as despesas do futebol e, por isso, temem novos processos trabalhistas.

 

“Precisamos derrubar a tese de ‘grupo econômico’ e dissolver essa parceria o quanto antes. Do jeito que está, fica impossível fazer futebol. Infelizmente, se nada avançar até lá, a Desportiva Ferroviária corre sério risco de não participar do Estadual. Desse jeito, apesar de termos dois patrocinadores importantes, não temos condições de arcar com as despesas de um campeonato que não te dá um retorno financeiro compensatório de televisão e renda. Com tantos problemas que temos na Justiça, seria inconsequente da nossa parte correr o risco de receber novos processos por falta de pagamento de salário, por exemplo”, explica o presidente Wilson de Jesus.

 

A desistência de participar do Campeonato Capixaba acarreta punição de dois anos sem atuar na competição, com retorno em 2017, na Série B do Estadual.

 

 

Entenda o caso

 

A irresponsável parceria com o Grupo Frannel, de Marcelo Villa-Forte: 

 

Em 1999, o ex-presidente da Desportiva Ferroviária, Edvaldo Rocha Leite firmou parceria com o grupo Oliveira Empreendimentos e Participações S/A (leia-se rede de postos de combustíveis Frannel), tendo como seu principal gestor Marcelo Villa-Forte, além de outros familiares. A Desportiva Ferroviária ficaria com a parte social, enquanto que o futebol seria administrado pela Desportiva Capixaba (união da Desportiva Ferroviária com o grupo Oliveira Empreendimentos e Participações S/A). A primeira parte ficaria com 49% das ações, enquanto o grupo majoritário com 51%. Como contrapartida, acordou-se que seria construída uma nova sede social, um posto de gasolina, além do pagamento de R$ 600.000,00.

 

Com inadimplemento das obrigações por parte da Villa-Forte e Oliveira Empreendimentos e Participações S/A, a Desportiva Ferroviária cobrou e a justiça capixaba condenou o grupo de investidores a pagar R$ 8.000.000,00 (valores atuais) aos ferroviários, o que ainda não ocorreu.

 

No dia 08 de abril de 2011, após recuperar a posse do estádio Engenheiro Alencar Araripe, atualmente Arena Unimed Sicoob, a Desportiva Ferroviária voltou a existir, tocando o futebol, mas com poucos recursos e com inúmeros desafios pela frente. Até o momento, a atual gestão grená já pagou cerca de R$ 800 mil de dívidas que não lhe pertencem.

 

 

Dívidas do Grupo Villa-Forte: quem pagam são os ferroviários


A irresponsável administração da Desportiva Capixaba traz inúmeros transtornos à atual gestão. A Justiça entende que a Desportiva Ferroviária deve herdar todos os passivos do Grupo Oliveira Empreendimentos e Participações S/A, que por sua vez tem participação em pelo menos outras dez empresas no ramo de combustíveis. São inúmeros processos tributários e trabalhistas, de empregados – até mesmo de outras empresas do grupo – e ex-jogadores. Os advogados grenás trabalham para convencer a Justiça de que se tratam de duas instituições diferentes: a Desportiva Ferroviária é uma associação sem fins lucrativos, tendo como objeto social a prática do futebol amador e profissional do futebol, e não a comercialização, distribuição, transporte de combustíveis, ou do ramo da educação, não participando desse “grupo econômico”. Vários processos correm à revelia, sem o conhecimento prévio da Desportiva Ferroviária, que sequer é chamada para discutir o mérito das causas.

 

Além das ações trabalhistas, há inúmeras pendências tributárias em que a União, o Estado e os Municípios ajuizaram respectivas execuções – sendo uma delas, contra a Frannel Distribuidora de Petróleo Ltda, no valor de quase R$ 42 milhões. Diante disso, o estádio Engenheiro Alencar de Araripe, avaliado em R$ 70 milhões em 2013, pode ser arrematado em leilão de uma hora para a outra, por um valor que não condiz com sua estrutura (R$ 35 milhões).

 

 

A difícil volta da Desportiva Ferroviária

 

Quando se tornou clube-empresa, em 1999, a Desportiva disputava a Série B do Campeonato Brasileiro, por pouco não conseguindo o acesso no ano anterior. Como Desportiva Capixaba, entretanto, sofreu dois rebaixamentos no Brasileirão e no Capixabão, manchando a história gloriosa do clube de Jardim América.

 

Desde o difícil pontapé inicial, em apenas três anos e meio de  reestruturação, a Desportiva Ferroviária conquistou três títulos em quatro finais seguidas disputadas – Campeonato Capixaba Série B 2012, Copa Espírito Santo 2012 e Campeonato Capixaba 2013 –, e disputou, nesta temporada, a Copa do Brasil e a estreante Copa Verde, além de ser campeã da Copa dos Campeões, do Desafio Preto e Grená e da Taça Unimed Vitória de Futebol. Entretanto, a herança maldita da Capixaba impede que a Locomotiva Grená volte a trilhar os trilhos que lhe pertencem.





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Copa ES 2017 (CHAVE B)
Desportiva Ferroviaria
Espirito Santo Futebol Clube
30/09/2017
15:00
Estádio Engenheiro Araripe
1Desportiva Ferroviaria 19 8 6
2Clube Atlético Itapemirim 3 2 1
3Vitória Futebol Clube 1 2 0
4Espirito Santo Futebol Clube 0 0 0
DES
0 x 1
CAI
SCBC
0 x 6
DES